Características gerais

Alimentação

A Lutra lutra alimenta-se na água e a sua dieta é preferencialmente piscívora, mas a alimentação destes animais é fortemente condicionada pela abundância das presas, locais e das épocas do ano. Posto isto, ela pode também alimentar-se de várias outras presas pertencentes ao grupo dos anfíbios e invertebrados, como rãs, salamandras, crustáceos, molúsculos e insetos, bem como, em menor escala, de pequenos mamíferos, aves aquáticas e répteis, quando há, por exemplo, reduzida abundância de peixes.

Uma das presas mais recentemente adaptada ao regime alimentar da lontra é o Lagostim-vermelho-da-Luisiana, uma espécie invasora que triunfou em todos os habitats dulçaquícolas e de água salobra, ou seja, que vai apresentar uma grande disponibilidade para a lontra, todavia, por outro lado, contêm uma baixa quantidade energética, para além de não ser encontrado na estação fria. 

Figura 2- Lontra-europeia

Figura 4- Escalo do Mira

Figura 3- Rã

Figura 5-Lontra a alimentar-se de um lagostim

Ciclo de vida

Da mesma forma que todos os outros animais, a lontra apresenta um ciclo de vida diplonte. Num ciclo de vida diplonte, a fase diploide é dominante, sendo os gâmetas as únicas células haploides. A meiose é pré-gamética, ocorrendo durante a produção dos gâmetas, e da fecundação, resulta o zigoto diploide, que se divide por sucessivas mitoses e origina um organismo pluricelular diplonte.

Figura 6- Ciclo de vida diplonte


Reprodução

As lontras-europeias são uma espécie solitária, exceto quando as mães e as crias formam grupos familiares, e que não apresenta um parceiro sexual fixo. Estas acasalam tanto dentro como fora de água e em qualquer altura do ano, pois os exemplares femininos desta espécie apresentam um cio que se estende por todo o ano, mas, na maioria dos casos, a reprodução ocorre na primavera e no verão, dependendo da disponibilidade de recursos. O seu tempo de gestação varia entre 2 e 3 meses, podendo as suas ninhadas ir de um a quatro filhotes. As crias abandonam os cuidados da progenitora após pouco mais que 1 ano de vida, só atingindo a maturidade sexual 2 ou 3 anos depois de nascerem.

Figura 7-Grupo de lontras                                                           Figura 8-cria de lontra

Habitats

As lontras podem habitar todos as zonas aquáticas de água doce continentais, nomeadamente, rios, riachos, ribeiros, ribeiras, lagos, lagoas, grutas, pauis, canais, arrozais, sapais e pequenas albufeiras, para além de também poderem ser encontradas em ecossistemas de água salobra, como estuários e rias, e locais adjacentes a aos exemplos apresentados. Estes mamíferos nidificam em covas rochosas, estando a entrada destas frequentemente submersa, sendo ventilada por outro orifício, ou em locais secos em zonas ripícolas: túneis de terra, arbustos, margens cobertas ou entre raízes mais robustas. De forma geral, as suas tocas podem ser encontradas essencialmente em zonas com elevada densidade vegetal, próximas ao meio aquático, uma vez que é aí que se alimenta, com baixa interferência humana e uma boa disponibilidade de alimento.

Figuras 9 e 10- Ribeira do Torgal, São Luís, Portugal

Figura 11- Lagoa

Figura 12- Zona ripícola

Morfologia

A Lutra lutra tem simetria bilateral, corpo cilíndrico alongado, com pelo castanho a cinzento, com uma mancha mais clara entre o queixo e o ventre. A sua pelagem é curta e compacta e assenta na camada interior, igualmente curta e espessa que vai conferir a essencial impermeabilização e a capacidade endotérmica, capacidade de manter a temperatura corporal criada pelo seu metabolismo. Possui patas pequenas com garras e membranas interdigitais que juntamente com a cauda, longa e larga na base, permitem uma excelente deslocação aquática, e uma cabeça grande, achatada e com um focinho e orelhas pequenas que estão ao nível dos olhos, dando a capacidade de nadar com apenas uma pequena porção do corpo fora de água. Apresentam vibrissas no focinho, olhos e queixo que atribuem uma melhor perceção da localização dos animais a caçar. 

Esta espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo os machos mais pesados e robustos. No geral, esta espécie mede entre 61 e 75 cm, oscilando os adultos entre os 6 e os 10 kg.

Figura 13- Lontra-europeia

Figura 14-Lontra-europeia a nadar

Hábitos

As lontras apresentam hábitos noturnos e crepusculares o que explica a sua reduzida observação por humanos, juntamente com o facto de preferirem locais com baixa presença humana.

Os animais desta espécie marcam o seu território através da deposição dos seus dejetos em locais específicos, altos e bem visíveis como rochas ou troncos de árvores, e cada exemplar da espécie apresenta um odor característico o que as permite distinguirem os seus domínios.

Figura 15- Dejetos de lontra

Distribuição geográfica

Esta espécie animal habita toda uma faixa este-oeste do continente europeu e asiático, bem como o norte de África, sul da Índia e uma parte da Indonésia.

Figura 16-Distribuição mundial da lontra-europeia

Adaptações específicas

Devido há falta de alimento a que as lontras ficam sujeitas, que tem como causa principal as alterações climáticas, na nossa zona, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, elas vão ao mar para caçar o seu alimento. Esta solução é, no entanto, muito perigosa para estes animais pois a lontra-europeia é um lontra de água doce, e não de água salgada, sendo que esta danifica a sua pelagem. Como consequência, antes de retornarem às suas tocas, elas têm de se passar por nascentes de água doce onde possam limpar o seu pelo para evitar danos futuros.

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